Arquivos de August 2009

A taxa básica de juros (taxa SELIC) recuou para o nível mais baixo de sua história, “como nunca antes neste país”. A poupança, que foi o patinho feio dos investimentos desde o plano real, volta a chamar a atenção. Esse fato é observado na captação líquida da modalidade no mês de julho, quando captou-se R$ 4,1 bilhões para a poupança, o que é recorde para o período. No mesmo mês de 2007 e 2008 houve uma captação líquida de R$ 3,5 e R$ 2,2 bilhões respectivamente, de acordo com informações do Relatório de Poupança do Banco Central.

No jogo de investimentos quem está perdendo são os fundos de investimentos classificados como DI que registraram saída de R$ 7, 6 bilhões neste ano até o dia 28 de julho, segundo a ANBID (Assoc. Nacional de Bancos de Investimento).

            Esse movimento pode não ser justificado quando comparamos a rentabilidade dos dois investimentos, visto que a rentabilidade média dos Fundos DI estão acima dos ganhos da poupança. Uma alternativa para o poupador é buscar fundos em instituições de desconto, como as corretoras online, nas quais podemos encontrar produtos com taxas abaixo de 0,5% para valores de R$ 5 mil.

 

 

 

Os títulos públicos oferecidos pelo sistema do tesouro direto são uma alternativa de investimento, porém os custos podem engolir uma boa parte da rentabilidade se o investidor não pesquisar, pois o custo total pode chegar a 4,4%.

           Outro produto de investimento que vem ganhando mercado é o CDB (certificado de depósito bancário) que costuma oferecer rentabilidade proporcional à taxa CDI e conta com um grande diferencial - não tem custo – porém o investidor deve se proteger contra baixa taxa de retorno. Assim como a poupança, o CDB oferece risco de crédito para valores acima de R$ 60 mil, caso a instituição seja associada do Fundo Garantidor de Crédito – se desejar saber se seu banco oferece essa garantia acesse http://www.fgc.org.br/. Isso quer dizer que se o banco entrar em liquidação valores acima de R$ 60 mil por CPF serão perdidos.

            Já a poupança, que ficou anos e anos ocupando um papel secundário volta a cena como uma opção de investimentos, já que não costuma ter custo tampouco imposto de renda. Entretanto sua rentabilidade é baixa e aplicações nessa modalidade se justificam apenas para o pequeno investidor que pretende resgatar o recurso em menos de 6 meses. Uma desvantagem da mais tradicional das aplicações é o fato de que seus rendimentos são oferecidos apenas 1 vez ao mês, ou seja, para obter retorno o investidor precisa esperar que sua poupança “faça aniversário”. O governo tentará limitar o acesso do grande investidor a poupança, cobrando impostos para valores acima de R$ 50 mil reais.

           Dentro dessa competição, quem está correndo por fora são as debêntures (títulos de renda fixa emitidos por companhias abertas), que com a queda na taxa básica de juros e a restrição do crédito no sistema bancário, vêm demonstrando ser uma ótima oportunidade não apenas para as empresas que pretendem captar recursos mas também para os investidores que estão dispostos a correr mais riscos para aplicar seus recursos a taxas atrativas.

Seja lá qual for a opção de investimento preferida pelo poupador, recomenda-se cautela para não expor os recursos a riscos exacerbados e pesquisa na escolha de instituição que lhe oferece baixo custo e boa rentabilidade.

           Avaliando todas as opções de investimentos para Renda Fixa e os Custos envolvidos em cada operação, conclui-se que a poupança volta sim a ser uma opção de investimento, porém restrito ao pequeno poupador de curto-prazo.

            Muitas empresas passam por um aperto financeiro neste momento. Primeiro veio a crise econômica mundial e depois a gripe A - e alguns empresários se perguntam: “tenho a empresa há anos e as vendas estão bem. Por que não sobra dinheiro?”.

            Uma história que me impressiona e exemplifica bem esse tipo de caso é a de uma pequena empresa do ramo gráfico que, em seu primeiro ano, quando funcionava nos fundos da casa do pai de um dos sócios, faturou R$ 30 mil. Após um bom crescimento, encerrou o segundo ano com vendas de R$ 60 mil e no terceiro ano, após ter se instalado em um pequeno barracão, faturou quase R$ 200 mil. Infelizmente, a história acabou aí, pois a empresa ficou devendo muito mais que a sua capacidade de pagamento e os sócios encerraram as operações antes do quarto ano de atividade.

              Isso é muito comum, pois o resultado financeiro da empresa não depende apenas das vendas - tampouco dos lucros. O resultado financeiro é a sobra de caixa que o sócio poderá resgatar para seu próprio consumo sem prejuízo para a empresa. Entretanto, até chegar lá, um longo caminho há de se percorrer. Então surgem algumas questões, que devem ser esclarecidas:

 

1 - Por que vendas não significam resultados?

Porque uma empresa que fatura pode não receber de clientes inadimplentes. Além disso, prazos muito longos de recebimento deixarão a empresa sem dinheiro para pagar custos e despesas vincendas. E, principalmente, se adiantar recebimentos com instituições financeiras, poderá pagar juros maiores que seus lucros.

Outro fator é que os custos e as despesas poderão ser maiores que o faturamento. Dentre as despesas, incluímos as retiradas dos sócios, que costumam ser um estorvo na vida financeira de muitas empresas, independentemente do seu tamanho.

 

2 - Por que lucro não significa resultado?

Porque reinvestimentos necessários para manter o negócio poderão ser maiores que o lucro. Tanto investimento em capital de giro, comumente utilizado para alavancar vendas, quanto investimentos em infra-estrutura e equipamentos, entram nessa conta.

 

3 - Por que, mesmo com resultado, o negócio pode não ser perene?

Porque o futuro é imprevisivel e, em algum momento, a empresa poderá passar por um período de dificuldades - sejam elas fatores externos, como a gripe A, ou fatores internos, como um incêndio. Se o gestor não tiver uma reserva financeira para se apoiar nesses momentos, terá grandes dificuldades de continuar as atividades do negócio.

 

              O que se recomenda é sistematicamente controlar e planejar. Torna-se necessário conhecer com exatidão as margens de todos os produtos e/ou serviços vendidos, bem como as despesas. Crescimento rápido só será um benefício para a empresa quando existir planejamento. E reservas financeiras são uma obrigação para qualquer empresário com um mínimo de prudência.

Nos últimos finais de semana fui em parques e à alguns shoppings de Curitiba e o que me agradou foi o fato de ver os parques cheios, enquanto os shoppings estavam vazios.

Os comerciantes de grandes centros de compras que me desculpem, mas passar o dia com a família em áreas abertas contribui muito para sua saúde financeira. Enquanto em um parque os pais jogam bola, brincam de pega-pega com os filhos e levam seus animais de estimação para passear, no shopping gastam com estacionamento, cinema, pipoca, presentinhos, etc.

Outro fato positivo é que, se as pessoas se acostumarem com uma melhor higiene das mãos ficarão menos doentes, gastarão menos tempo em licenças médicas e menos dinheiro em remédios e planos de saúde.

Esse é o lado positivo da gripe.

por Central Press
          

              As orientações para que as pessoas evitem aglomerações e lugares fechados devido à pandemia da Gripe A (H1N1) estão prejudicando muitos setores da economia de Curitiba. Não há levantamentos oficiais, nem pronunciamentos por parte das entidades de classe do setor, mas grande parte dos estabelecimentos na área de eventos, turismo, casas noturnas, shoppings e restaurantes estão sentindo na queda de movimento e vendas o reflexo do medo da população.

De acordo com o consultor financeiro Raphael Cordeiro, além dos segmentos citados, também são fortemente impactados os serviços e comerciantes que trabalham nas redondezas de escolas e faculdades, como bancas de jornais, papelarias, pipoqueiros e lanchonetes. “Com o adiamento da volta às aulas, alguns deles deverão perder até 50% da renda neste mês de agosto”, afirma Cordeiro.

Outro setor bastante afetado é o de postos de combustível. De acordo com o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, nos recessos escolares, 200 mil carros deixam de circular no Paraná e, em época de férias escolares, os postos costumam vender 30% menos.

Os impactos causados pela gripe podem fazer com que um negócio se torne insolvente. “Numa época como essa, um comércio que vinha trabalhando no seu limite, com baixíssimo lucro e dívidas no banco, como cheque especial e capital de giro, pode ter um prejuízo que representa o ganho de 6 meses ou 1 ano. Se tiver que recorrer à dívidas com juros elevados ou não tiver crédito disponível, talvez o dono do estabelecimento passe a gerir um negócio insolvente”, explica Raphael Cordeiro.

O consultor lembra do perigo de se recorrer ao cheque especial e capital de giro de bancos que, segundo dados de junho do Banco Central, estão em 166,99% e 31,83% ao ano, respectivamente. “Este é um momento de aprendizado e demonstra aos empresários o quão necessária é uma reserva financeira. Crises nunca acabam definitivamente – elas aparecem e somem periodicamente -, assim como as oportunidades. Entretanto, a previsibilidade é tão baixa que devemos estar prontos para enfrentá-las permanentemente”, alerta.

Mas quanto deve ser a reserva financeira de um negócio? Segundo Raphael Cordeiro, no mínimo o valor de um mês de todas as despesas e custos - ou 30% da receita anual. Empresas que fazem parte do Ibovespa possuem em média 17,6% das receitas anuais em caixa e equivalentes, de acordo com informações da Corretora Omar Camargo/Economática. “Levando em conta que grandes empresas têm mais acesso ao crédito, pequenas e médias deveriam ter um nível de reserva superior”, explica Cordeiro.

Mas as perguntas que todos os comerciantes estão fazendo são “até quando a nova gripe vai afetar a economia?” e “o que posso fazer para melhorar minhas vendas?”. Para o infectologista do Hospital VITA Curitiba e especialista em Medicina do Viajante, Jaime Rocha, o maior problema é a falta de informação das pessoas sobre a nova gripe. “Os estabelecimentos fechados devem disponibilizar ao consumidor o fácil acesso a itens de higienização das mãos, que é a forma mais simples e eficaz de prevenir qualquer tipo de gripe”, aconselha. “Outra solução é enviar informativos aos clientes, com esclarecimentos sobre a doença – só assim, o medo coletivo pode diminuir”, acrescenta o médico.

Ainda segundo Rocha, é injustificável que pessoas saudáveis se mantenham trancadas dentro de casa, esperando o perigo passar. “O perigo sempre existiu. A gripe sazonal é mais letal que a Influenza A e, mesmo assim, ninguém nunca entrou em pânico. Acidentes de carro, tiros e facadas matam infinitamente mais que a nova gripe e, mesmo assim, ninguém nunca deixou de sair por isso”, exemplifica o especialista.

  

Oportunidades

 Por outro lado, enquanto alguns setores sofrem com forte queda nas vendas, é o momento de outros embarcarem nas oportunidades que surgem com a pandemia. Segundo Cordeiro, com a lei da oferta e da demanda, o aumento na procura por itens de prevenção a Gripe A, como álcool em gel e máscaras cirúrgicas, inflacionou os preços em até 133,33% no mercado curitibano.

Entretanto, não são apenas os segmentos de cuidados com a saúde que podem levar vantagem neste momento. “Com a suspensão das aulas e o medo de sair de casa, serviços de babás e entretenimento para crianças, alimentos congelados, entregas e vendas em domicílio e lojas virtuais podem tirar vantagem e elevar os lucros neste momento”, afirma o consultor. “Com o adiamento da volta às aulas, até o turismo pode lucrar, com criatividade”, complementa. “A criatividade é - e sempre será - a arma mais forte para construir oportunidades e, como diz um provérbio, a prudência não evita todos os males, mas a sua falta os atrai”, ressalta Cordeiro.