A taxa básica de juros (taxa SELIC) recuou para o nível mais baixo de sua história, “como nunca antes neste país”. A poupança, que foi o patinho feio dos investimentos desde o plano real, volta a chamar a atenção. Esse fato é observado na captação líquida da modalidade no mês de julho, quando captou-se R$ 4,1 bilhões para a poupança, o que é recorde para o período. No mesmo mês de 2007 e 2008 houve uma captação líquida de R$ 3,5 e R$ 2,2 bilhões respectivamente, de acordo com informações do Relatório de Poupança do Banco Central.
No jogo de investimentos quem está perdendo são os fundos de investimentos classificados como DI que registraram saída de R$ 7, 6 bilhões neste ano até o dia 28 de julho, segundo a ANBID (Assoc. Nacional de Bancos de Investimento).
Esse movimento pode não ser justificado quando comparamos a rentabilidade dos dois investimentos, visto que a rentabilidade média dos Fundos DI estão acima dos ganhos da poupança. Uma alternativa para o poupador é buscar fundos em instituições de desconto, como as corretoras online, nas quais podemos encontrar produtos com taxas abaixo de 0,5% para valores de R$ 5 mil.

Os títulos públicos oferecidos pelo sistema do tesouro direto são uma alternativa de investimento, porém os custos podem engolir uma boa parte da rentabilidade se o investidor não pesquisar, pois o custo total pode chegar a 4,4%.
Outro produto de investimento que vem ganhando mercado é o CDB (certificado de depósito bancário) que costuma oferecer rentabilidade proporcional à taxa CDI e conta com um grande diferencial - não tem custo – porém o investidor deve se proteger contra baixa taxa de retorno. Assim como a poupança, o CDB oferece risco de crédito para valores acima de R$ 60 mil, caso a instituição seja associada do Fundo Garantidor de Crédito – se desejar saber se seu banco oferece essa garantia acesse http://www.fgc.org.br/. Isso quer dizer que se o banco entrar em liquidação valores acima de R$ 60 mil por CPF serão perdidos.
Já a poupança, que ficou anos e anos ocupando um papel secundário volta a cena como uma opção de investimentos, já que não costuma ter custo tampouco imposto de renda. Entretanto sua rentabilidade é baixa e aplicações nessa modalidade se justificam apenas para o pequeno investidor que pretende resgatar o recurso em menos de 6 meses. Uma desvantagem da mais tradicional das aplicações é o fato de que seus rendimentos são oferecidos apenas 1 vez ao mês, ou seja, para obter retorno o investidor precisa esperar que sua poupança “faça aniversário”. O governo tentará limitar o acesso do grande investidor a poupança, cobrando impostos para valores acima de R$ 50 mil reais.
Dentro dessa competição, quem está correndo por fora são as debêntures (títulos de renda fixa emitidos por companhias abertas), que com a queda na taxa básica de juros e a restrição do crédito no sistema bancário, vêm demonstrando ser uma ótima oportunidade não apenas para as empresas que pretendem captar recursos mas também para os investidores que estão dispostos a correr mais riscos para aplicar seus recursos a taxas atrativas.
Seja lá qual for a opção de investimento preferida pelo poupador, recomenda-se cautela para não expor os recursos a riscos exacerbados e pesquisa na escolha de instituição que lhe oferece baixo custo e boa rentabilidade.
Avaliando todas as opções de investimentos para Renda Fixa e os Custos envolvidos em cada operação, conclui-se que a poupança volta sim a ser uma opção de investimento, porém restrito ao pequeno poupador de curto-prazo.