Apesar dos títulos públicos terem, aparentemente entrado no gosto do investidor e alcançando um valor total vendido de R$ 3,5 bilhões, após ter crescido mais de 1.200% desde 2003, ainda não chegou a ser uma verdadeira opção de investimento para a maioria dos poupadores. Para efeito de comparação, a Poupança que existe há décadas tem um volume total de depósitos de R$ 335 bilhões e o saldo dos fundos de Curto-prazo, DI e Renda Fixa estão em R$ 665 bilhões. Ou seja, o tesouro direto ainda tem um longo percurso a trilhar, entretanto algumas barreiras precisam ser ultrapassadas. Uma delas é o fato de que os bancos não têm interesse na disseminação desta modalidade de investimento e uma prova disso é que o Itaú cobra a taxa absurda de 4% ao ano e o Bradesco até pouco tempo atrás fazia o mesmo.
Outra dificuldade que o tesouro direto tem que enfrentar é o elevado custo da CBLC, empresa de custódia da BM&F Bovespa, que cobra 0,1% como taxa de negociação e 0,3% ao ano de custódia. Esses valores são um absurdo. A média do custo das instituições financeiras é 0,32%, valor similar ao que cobra a CBLC, que trabalha no atacado. Isso acaba sendo um tiro no próprio pé, pois com esse custo o CDB é muito mais vantajoso que a LFT. Considerando a taxa de juros atual (9,25%aa) o custo do primeiro ano (0,4%) representa 4% do CDI e somando a isso o custo médio das instituições, qualquer CDB que paga míseros 92% do CDI superarão a LFT em rentabilidade.
Claro que para as NTNBs e para as LTNs a situação pode ser um pouco diferente, pois nem sempre é possível comprar CDBs nos bancos com essas características.
Vou lançar uma campanha: “Abaixo à taxa de custódia do Tesouro Direto”.
No final das contas quem sai perdendo é o acionista da BM&F Bovespa, pois fica com um “saldinho” de míseros R$ 3 bi com um mercado de, talvez, R$ 0,5 trilhão para ser explorado.
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