Há dez anos comecei a trabalhar no mercado financeiro, o que antes era sonho tornou-se realidade, e algumas coisas parecem ter ficado mais claras ao longo desse período. Gostaria de compartilhar com vocês a experiência que absorvi e as dúvidas que permanecem me intrigando. Para iniciar vamos ver o histórico dos rendimentos dos meus investimentos em ações. Os meus três primeiros anos como investidor em ações foram desafiadores, pois o mercado caiu. Foi um grande teste e não apenas pelas quedas do índice Ibovespa, mas porque consegui não perder. Já cedo descobri que não perder nas quedas era o caminho para o sucesso no longo prazo e por isso desprezava blue-chips (empresas de grande valor como Petrobras e Vale).
Logo aprendi sobre o mercado de opções e futuro e pude observar que na verdade essas eram maneiras fáceis de perder dinheiro, o que não faz qualquer sentido para um investidor consciente - tive sorte de trabalhar no mercado, pois aprendi vendo os outros perderem dinheiro. Aprendi também o quanto os clientes confiam em estratégias infundadas… ainda hoje vejo senhores ricos e com imensa vivência caindo nos contos da carochinha. “THERE IS NO FREE LUNCH”.
Meu melhor ano não foi nem 2009 quando apurei rentabilidade de quase 100% tampouco 2003, mas foi 2004 quando o mercado subiu apenas 17,5% e nós ganhamos mais de 50% - ganhar bem não basta, para você aparecer precisa ganhar muito mais do que os outros. Nesse ano a rentabilidade da minha carteira de ações foi a 18o melhor do país, quando comparada a todos os Fundos de Investimentos em Ações, entretanto estava correndo riscos elevados. Nessa época, chegava a concentrar até 30% da carteira em apenas uma ação. Alterei minha estratégia para papéis de longo-prazo e então veio a derrocada… 2005, 06 e 07 apurei ganhos pífios enquanto o mercado subiu 35% em média. Esse foi um momento muito difícil. Ignorantes no assunto passaram a ganhar mais que eu, claro, “era só comprar petro e vale e esperar”. Não conseguia entender porque o mercado subia tanto e bolsa de valores estava na boca do povo - foi legal porque eu tinha assunto para conversar com muita gente, mas foi uma fase ruim porque muitos passaram a achar que entendiam do assunto. Acreditava que o mercado iria parar de subir, mas me faltou coragem de vender boa parte do que tinha e correr o risco de continuar perdendo para a média. Mantive a carteira e mudei levemente a estratégia em 2007 englobando papéis de primeira linha.
Não podia ser diferente, em 2008 o mercado despencou e eu cai junto! Pela primeira vez em minha história havia apurado uma rentabilidade anual negativa, algo que não estava em meus planos. Patrimonialmente, o efeito não foi tão grande, pois já havia implantado a estratégia de diversificação com rebalanceamento periódico, inspirada no grande professor Benjamin Graham. Nesse período vi muita gente quebrar - entenda por quebrar perder mais que 80%, valor que praticamente inviabiliza uma recuperação. Não apenas leigos, mas profissionais. Alguns próximos, outros distantes. O coreano gestor da GWI tinha sido comparado ao Warren Buffett por uma revista de grande circulação logo antes de quebrar. Quem já havia ficado pelo caminho, em junho de 2006 foi a GlobalInvest, empresa de investimentos e consultoria com sede em Curitiba que ganhou projeção nacional com sua ótima estratégia de marketing. Banco Santos, Megacred e o milagroso vereador de Campo Largo foram outros que ficaram pelo caminho. George Soros demonstra sua sabedoria ao dizer que O IMPORTANTE É SOBREVIVER. Para chegar longe basta conseguir andar por muito tempo, pois velocistas imprudentes ficarão pelo caminho. Será que é possível ter sucesso com investimento agindo com imprudência e ansiedade? Acredito que não.

Os últimos dois anos foram de consolidação estratégica. Atualmente trabalho com blue-chips, algumas empresas de dividendos e debêntures, mas as “smallcaps” são as minhas prediletas. Após a parceria com a Omar Camargo Investimentos, empresa em que gerenciei a criação da primeira equipe de análise de mercado do Paraná, consegui ter uma melhor visão de uma estratégia bem construída e os desastres observados consolidaram ainda mais algumas crenças.
Para frente espero poder continuar com rendimentos de mais de 10% ao ano acima da inflação. Ganhar do Ibovespa, mesmo tendo custos que remam contra, foi uma enorme vitória e ficarei muito feliz se puder continuar assim, entretanto meus outros pilares também estão sendo consolidados. CDBs, Debêntures e Fundos Imobiliários ajudam muito na construção de um portfólio vencedor no longo prazo.
Obrigado clientes, amigos, colaboradores e colegas.
E que os próximos 10, 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos continuem sendo de ótimos retornos e grandes aprendizados.
“Não somos quem queremos ser, somos quem nossos amigos e familiares nos fazem SER”
Ótimos Investimentos!
Raphael Cordeiro, CFPTM, CNPI.
Raphael presta serviços de consultoria focado em gestão financeira para pessoas e famílias. Para obter maiores informações poderá acessar o site de sua empresa: 




